Em partes.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Chuva, água, gota, pinga, lama, gota. Ela andava praticamente correndo na calçada.
Com um aperto no peito e uma falta de fôlego, molhando a parte inferior de sua calça comprida.
Parou pra descansar debaixo de um toldo em uma loja; faltava mais um quarteirão e estaria lá, e aliás, a chuva estava se cessando e isso a animava. Não que não gostasse de chuva, mas ela atrapalhava num momento desses.
Correu e apesar de um tanto que molhada, chegou ao lugar e se abrigou da chuva em uma grande árvore, que fazia túneis com sua copa com outras copas. Então alguém gritou seu nome e ela se virou.
Um forte abraço ocorreu naquele momento, um misto de saudade extrema com um carinho desumano.
Não queria soltá-lo por nada naquele mundo, mas logo a realidade veio e ela delicadamente desvencilhou-se dele o encarando nos olhos e abrindo um sorriso de orelha a orelha.
- Por um instante, pensei que não tu vinha...
- Acabou que estou aqui. - e ela riu. - Não queria perder isso por nada. Tenho que me distrair de alguma forma.
A tarde voou, entre gargalhadas, brincadeiras, risos de tanta gente, vozes pra todos os lados, animação e aquela energia vibrante de tantas pessoas no mesmo lugar, se divertindo em conjunto.
Já no início da noite, quando tudo já estava se encerrando, ela leva um susto ao ser puxada pela mão.
Ao ver a fonte do puxão, se acalma e se deixa levar.
- Precisavafalarcontigohátantasco...
- Calma, relaxa e repete - pediu ela -.
Ele suspira fundo, ganha coragem.
- Precisava falar contigo saca? Tem tanta coisa que tens que saber, que não sei nem como começar.
- Diga... Por favor - Êxtase a dominou e ela engoliu em seco -.
Ele ajeitou o cabelo, estalou os dedos, nervosismo, timidez. Agora tudo junto, misturando, enforcando...
Beijou-a.
Assim, precipadamente, sem saber o que ocorreria.
Surpreendentemente, ela lhe passara os braços pelo corpo, o apertando contra si com tanta voracidade e demonstrando até certo desespero. Não, nada disso. Tudo isso era a pureza da saudade.
Depois ambos seguraram os rostos um do outro, fortalecendo o vínculo, com desprezo à idéia de separarem os lábios.
Depois disso, calados então se abraçaram. E assim ficaram por um longo instante até que ela quebrou o silêncio.
- Eu... Perdão - E botou a mão no rosto, a qual ele retirou -.
- Não peça perdão, era eu que deveria...
Silêncio novamente. Os orgãos dela estavam a clamar, seus músculos a doer, coração a palpitar, falta de ar.
Tudo por dentro dela gritava, reclamava, como se quisesse se libertar...
- Eu te amo!
E deu um passo pra trás, como se tivesse medo da reação do rapaz, que primeiramente espantado, mas rapidamente a enlaçou e lhe respondeu com um longo e carinhoso abraço.
- Nunca me falastes... Tanto tempo e nunca...
- Tinha medo antes, depois tive mais ainda. Compreenda meus motivos...
- Compreendo, eu te entendo.
Ela pensou no seu atual presente, que podia lhe trazer problemas agora. Pensou no passado, nos beijos que deixara de dar... Nas palavras que deixara de falar, na falta de ousadia própria.
Foi interrompida por outro beijo, e desde que haviam se conhecido, este foi o melhor que os dois já haviam trocado.




Trilha do fragmento:
3 Libras - A Perfect Circle.

Obs: Fictício, em partes, porque tem tempo relativo ao futuro.

4 reações

  1. Foi um encontro perfeito,fictício ou não,foi perfeito.
    Te amo Nands
    (L)

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  2. ficticio ou nao, foi perfeito (2)

    fernaaanda, tá tudo otchimo entre mim e a carol :D

    volta a escrever com mais frequencia ._.
    por favor.

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  3. Muito legal o texto, fernanda.

    Desculpa ter sumido e não ter aparecido mais aqui, a vdd é que as provas tao chegando e sabe como é, ESTUDAR!
    xD~~

    Bj =*

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