"Por muito tempo eu odiei desenhar, principalmente nos três primeiros anos do curso de arquitetura, mas às vezes uma nova visão do que isso significa na sua vida pode ser a chave que faltava para sua vida acadêmica e profissional finalmente terem um sentido um pouco melhor"
"Como assim?"
"Quando eu era caloura, tinha muita inveja de quem desenhava bem e vergonha dos meus rabiscos. Talvez faltasse um pouco de auto-estima, eu sei. Mas desde o terceiro dia em Newcastle, minha rotina se preencheu com a presença de um calouro de arquitetura e suas inquietações iniciais dentro do meu apartamento. Ele também não é fã de desenhos, mas mesmo assim, se esforça pra tentar entender o porquê disso, o porquê se sentir as edificações, o porquê da arquitetura necessitar disso"
"E por causa, você resolveu começar a desenhar mais?"
"Não, eu decidi recomeçar, como se nunca havia desenhado antes. Lembrei dos primeiros exercícios que meus professores do primeiro ano fizeram comigo e comecei com as observação de mãos, sapatos, pessoas... e depois fui desenhando o que era pra mim cada coisa do meu cotidiano."
"Eu fico feliz por você, por teres finalmente encontrado um descanso nas tuas dúvidas sobre se arquitetura era o melhor pra você, porque, mesmo que você se especialize em planejamento urbano, terão muitos e muitos desenhos pela frente".
"É, eu sei. Eu encontrei um fim nas dúvidas sobre a arquitetura, já não me vejo fazendo outra coisa para o resto da vida. Entretanto, aquele calouro não me deixa descansar os pensamentos desde a primeira vez que vi ele quando abri a porta da cozinha".